Cenário político do Acre em reta final antes das eleições de 2026
Eleições 2026 no Acre: transição de governo, operação da PF e seis candidatos acirram disputa ao Palácio Rio Branco
A aproximados dez dias do primeiro turno das eleições estaduais, agendado para o dia 4 de outubro, o cenário político no Acre atravessa um dos períodos mais intensos e movimentados dos últimos anos. Com a recente transição no Poder Executivo, a movimentação da Polícia Federal e debates decisivos sobre gestão fiscal, a corrida eleitoral no estado ganha contornos de alta volatilidade e polarização.
Além da definição para o Palácio Rio Branco, os eleitores acreanos irão às urnas para escolher dois senadores, oito deputados federais e 24 representantes para a Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac).
O cenário de transição no Governo do Estado
A reconfiguração do Poder Executivo estadual teve início em abril deste ano, quando o então governador Gladson Cameli renunciou ao cargo com o objetivo de disputar uma das vagas ao Senado Federal. Com a vacância, a vice-governadora Mailza Assis (PP) assumiu em definitivo o comando do Estado do Acre.
Agora no exercício do mandato, a governadora busca a reeleição encabeçando a coligação "Avança Acre", uma ampla aliança partidária formada por PP, União Brasil, MDB, PL, PDT e Democrata. Em sua agenda pública, Mailza tem priorizado a entrega de obras remanescentes, o fortalecimento de programas sociais e a consolidação do selo "Juntos pelo Acre", apresentado pela gestão como uma política pública contínua a ser mantida nos próximos quatro anos.
Quadro de candidaturas homologadas pelo TRE-AC
O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) deferiu seis candidaturas para a disputa do governo estadual, contemplando diferentes espectros políticos e alianças locais:
- Mailza Assis (PP): Candidata à reeleição pela coligação "Avança Acre", representando a continuidade da atual gestão do Executivo.
- Alan Rick (Republicanos): Senador da República, desponta como um dos principais nomes da oposição e lidera os índices de intenção de voto nas primeiras pesquisas amostrais.
- Tião Bocalom (PSDB): Prefeito de Rio Branco, concorre pela coligação "Produzir para Empregar", buscando projetar a gestão da capital para o âmbito estadual.
- Thor Dantas (PSB): Postulante focado na unificação do campo de centro-esquerda no estado.
- Dr. Luisinho (Agir): Disputa o cargo em candidatura isolada sem coligações majoritárias.
- Eudo Raffael (PCB): Candidatura ideológica representando o Partido Comunista Brasileiro.
Fatos marcantes e repercussões na reta final da campanha
A reta final do pleito tem sido impactada por desdobramentos nas esferas policial, fiscal e jurídica:
Operação da Polícia Federal
A Polícia Federal deflagrou uma operação em Rio Branco tendo como um dos alvos o ex-governador Gladson Cameli. A ação causou forte repercussão nos bastidores políticos da capital e reorganizou os discursos de campanha a poucos dias da votação.
Decisões do TCE-AC e debate fiscal
O Tribunal de Contas do Estado do Acre protagonizou debates intensos sobre a responsabilidade fiscal em ano eleitoral. Após uma determinação inicial que suspendia a nomeação de cargos comissionados no Executivo, o tribunal revisou a medida e liberou as nomeações, mantendo o acompanhamento sobre a folha de pagamento do Estado.
Em outro desdobramento, durante fórum conjunto entre TCE e TRE para apresentação de diagnósticos sobre pobreza, saúde pública e segurança aos postulantes ao governo, a governadora Mailza Assis ausentou-se do encontro alegando problemas de saúde.
Julgamento de ICMS no STF
Na esfera jurídica nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF) pautou a ação movida pelo Governo do Acre contra o Estado de São Paulo relativa à arrecadação de ICMS. O desfecho do processo é visto com atenção pela equipe econômica estadual, pois o resultado pode alterar significativamente a margem de orçamento para os primeiros anos da próxima gestão.
Renovação legislativa e metas orçamentárias
Paralelamente às campanhas majoritárias, os debates na Assembleia Legislativa do Acre voltam-se para a elaboração e aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o exercício de 2027. O texto prevê diretrizes para a valorização das carreiras do funcionalismo público e a alocação de investimentos prioritários nas áreas essenciais de infraestrutura e assistência social.
A composição da futura legislatura da Aleac e da bancada federal na Câmara dos Deputados definirá a capacidade de governabilidade do próximo chefe do Executivo acreano a partir de 2027.
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